A "dieta" da Pandemia

Retire os prazeres e adicione incertezas.


É bem provável que, após mais de 60 dias de isolamento social, você esteja cansado de estar dentro de casa, trabalhando, comendo, dormindo e fazendo tudo no mesmo ambiente.


Talvez você esteja cansado de ter que dar conta de tudo: trabalhar, administrar a bagunça da casa, atender às demandas emocionais e escolares das crianças, marido, esposa, pais... Pode ser que você esteja cansado de ver e conviver com as mesmas pessoas em um espaço físico restrito ou, se estiver só, esteja cansado da solidão.


É possível que você esteja cansado da sua própria presença, cansado de conviver com você mesmo nessa rotina restritiva e mais cansado ainda das inseguranças e medos que esse momento traz.


Todos em isolamento experimentam uma dieta super restritiva de hábitos e prazeres que costumávamos usufruir.

Estamos vivendo uma fase em “dieta forçada”. Todos em confinamento estão experimentando uma dieta super restritiva de hábitos e prazeres que costumávamos usufruir: encontrar amigos e familiares, abraçar e beijar as pessoas que amamos; socializar, ter contato visual e físico, ter boas conversas em volta da mesa, ir ao cinema, celebrar aniversários, comprar presentes, solucionar problemas com um grupo de trabalho, caminhar no parque, mergulhar no mar...

Eu não conheço ninguém que tenha prazer em fazer dieta. Você conhece? A dieta gera sofrimento porque ficamos restritos de algo que nos dá prazer. Nesse momento de confinamento que estamos vivenciando, a restrição afeta diversas áreas da nossa vida e por isso, pode ser bem difícil.


Então, se você está cansado diante desse contexto, tudo bem! Se você está cansado, ansioso, desanimado, meio irritado e temeroso, tudo bem também. É “natural” que você se sinta assim nesse contexto. Todos esses são sintomas do isolamento, gerados por essas restrições que estamos experimentando.


Esta dieta restritiva é temperada com incertezas e medos relacionados ao presente e ao futuro. Não há como ficar imune ou emocionalmente indiferente a tudo isso. A perda da liberdade, de hábitos e prazeres cotidianos, o afastamento das pessoas que amamos e o medo da doença nos deixam em um estado emocional muito vulnerável.


Depois do terremoto, vem o tsunami!


Segundo Elke Van Hoof, psicólogo e professor da Universidade de Bruxelas, em artigo publicado pelo Fórum Econômico Mundial, nós estamos vivenciando o maior experimento psicológico de todos os tempos que resultará em uma epidemia secundária de “burnouts” e estresses relacionados.


Estudos realizados na Inglaterra apontam sintomas já vivenciados em outros países durante o confinamento. Os principais sintomas que iremos experimentar durante esse período são: “low mood” ou humor depressivo, insônia, estresse, ansiedade, raiva, irritabilidade, exaustão emocional, depressão e sintomas de estresse pós-traumático. Esses sintomas ocorrerão durante e após o término do confinamento.


É importante estar ciente de que todos nós experimentaremos, em algum nível, esses sintomas. Algumas pessoas sentirão de forma mais intensa e outras de forma mais leve. Por isso, é importante que você esteja atento aos seus estados de humor e ao das pessoas que estão à sua volta. Não minimize ou negligencie essas emoções negativas e busque ajuda profissional de um psicólogo ou um psiquiatra, caso seja necessário.


De olho nos sinais de alerta!


Uma boa ferramenta para saber quando você está em uma zona vermelha (alerta) é a "pontuação APGAR (pela sigla em inglês)", que normalmente é usada para monitorar crianças pequenas e que agora foi adaptada como uma ferramenta para saber quando alguém precisa fazer alguma coisa sobre seu emocional.


A – Aparência - sinais de físicos que mostram que você não está bem, alteração do sono, apetite ou do autocuidado.


P – Performance ou desempenho – pode ser baixo ou alto (mostrando fuga da realidade) tanto no trabalho quanto em casa.


G – Do inglês Grow – Crescimento – capacidade e vontade de adquirir novas informações, como necessidade de repetição de estímulos (leitura, aulas, etc) para compreender algum conteúdo.


A – Afeto/emoções – descontrole das emoções como momentos mais emotivos, agressividade frequente.


R – Relacionamentos – Mudanças drásticas da forma como se relaciona, seja querendo ficar mais solitário que o normal ou buscando companhia de forma intensiva com medo da solidão.


A regra geral é que, se pelo menos dois desses cinco denominadores pararem de funcionar abruptamente, você deve procurar ajuda, pois pode estar sofrendo de estresse tóxico.


Descubra novos prazeres

Claro, há muitas coisas pelas quais mal podemos esperar para fazer fora de casa, mas eis uma lista de 10 prazeres simples que podemos desfrutar durante esse período e assim, minimizar um pouco do efeito do estresse que estamos vivenciando.

Você pode não se identificar com todos eles, mas temos certeza de que alguns deles te farão sorrir.

1 – Sentar-se perto da janela para tomar um solzinho

2 – Olhar nos olhos (com a máscara ficou ainda melhor de nos conectar através do olhar)

3 – Descobrir novos lugares para caminhar

4- Fazer a xícara perfeita de chá, toda vez que tiver vontade.

5 – Dançar na sala com as crianças

6 – Testar novas receitas

7 – Receber legumes direto do produtor local

8 – Ficar um dia inteiro descalça em casa

9 - Ouvir meus filhos conversando baixinho e rindo enquanto faço o jantar

10 – Escrever bilhetinhos para os vizinhos desejando felicidade e paz

Ouse descobrir novos prazeres, você vai se surpreender !

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