Como melhorar o desejo sexual e salvar seu casamento.

O desejo sexual é a sensação de vontade de ter relação sexual, que gera bem-estar físico e mental em relação ao sexo. Em relacionamentos de longa duração a motivação sexual pode ser desencadeada por fatores não necessariamente sexuais. Nesse caso, a experiência sexual frequentemente começaria com uma atitude neutra, não havendo percepção de desejo, sendo a necessidade de intimidade o que motivaria para o envolvimento sexual. Os fatores interpessoais tornam-se mais relevantes e, como o modelo de resposta sexual feminino é mais complexo, torna-se mais fácil ocorrer a diminuição do desejo.


Autoconhecimento é a chave


Nesse sentido, a influência que o relacionamento exerce sobre cada um, como a mulher recebe o estímulo sexual de sua parceria, como aceita vivenciar essa experiência, como trabalha suas fantasias sexuais e a forma como recebe os estímulos vindos dos órgãos dos sentidos fazem toda a diferença. O outoconhecimento nunca foi tão central pois com ele a mulher começa a entender que precisa se conhecer, descobrir suas zonas de prazer, entender como pode ser estimulada e saber falar com sua parceria de forma mais assertiva. A intimidade e um diálogo profundo é essencial e sem esse motor provavelmente o interesse sexual ficará comprometido.


Homens e mulheres podem ter condicionamentos diferentes em relação a sua sexualidade e a forma como vivenciam o sexo e o prazer em si. A criação de cada um, as experiências passadas, a biologia e os instintos, as expectativas criadas e fantasiadas de cada um, os mitos e tabus com relação ao tema, nossos traumas e medos, tudo isso pode influenciar na maneira como vemos o sexo e a sexualidade e como queremos, podemos e gostaríamos de manter essa experiência.

É muito importante pensar em sexo para desenvolver a habilidade de construir fantasias sexuais que possam desencadear o desejo sexual. O desejo sexual torna a mulher receptiva para o sexo e pode conduzi-la a buscar por uma relação sexual ou a masturbar-se para obter prazer sexual.


Nossa sociedade patriarcal e cristã condenou em quase todos os momentos da nossa história a nossa sexualidade, embutindo nela um significado negativo, pecaminoso, imoral e impuro. Portanto, fomos desenvolvendo muitas dificuldades em aceitar algo que é inato ao ser humano, que é a sua sexualidade, pois, como podemos aceitar algo que é associado a tantos sentimentos e emoções negativas? Como lidar com a culpa em sentir prazer em uma experiência cercada de mitos, tabus e crendices?

Atualmente, a medicina sexual vem ganhando grandes avanços, mostrando o quanto a satisfação sexual feminina é fundamental para a qualidade de vida da mulher e de suas relações afetivas. A sexualidade da mulher é multifatorial e multissistêmica, requerendo integridade anatômica, hormonal, vascular, nervosa e influenciada por fatores psicológicos, socioculturais, familiares e biológicos.


Desejo sexual hipoativo


O que se sabe é que o distúrbio do desejo sexual hipoativo, popularmente conhecido como diminuição da libido, é a deficiência ou ausência de fantasias sexuais ou do desejo para manter a atividade sexual, considerando o contexto de vida e a idade do indivíduo, sendo necessário que essa condição cause sofrimento pessoal acentuado. Isso causa angústia pessoal e consequente má qualidade no relacionamento conjugal e pessoal, baixa autoestima e uma qualidade de vida deficiente. Inicialmente, a investigação clínica detalhada incluindo uma série de exames se faz necessário.


Porém, os exames hormonais podem ajudar muito pouco a solucionar a imensidão desta queixa e, na maioria das vezes, uma equipe interdisciplinar se faz necessária: ginecologista, psiquiatra, urologista, psicólogo, fisioterapeuta. Normalmente, esse é o sucesso do tratamento.

Estudos recentes sugerem uma vasta participação hormonal na função sexual, incluindo não só os hormônios sexuais como o estrogênio, a progesterona e a testosterona, mas também a dopamina, noradrenalina, melanocortinas, ocitocina, entre outros. Os exames laboratoriais não são eficazes ao dosar todos esses hormônios e têm uma resposta muito aquém na própria dosagem de testosterona. Apesar de bastante famosa nas mídias sociais, a reposição de testosterona sem critério é completamente contra-indicada pelas sociedades médicas pelos graves efeitos adversos e deve ser feita em pacientes selecionadas, bem acompanhadas e com cautela.


Algumas medicações, como os contraceptivos orais, podem diminuir a testosterona funcionante e, ainda assim, não resultarem em queixa de diminuição da libido. De fato, a resposta sexual feminina não é linear e nem sempre o desejo sexual é totalmente afetado, já que ele depende de uma série de estímulos emocionais, sexuais, hormonais e de satisfação consigo e com a relação para se desenvolver.

Responsabilize-se pelo seu prazer!


O que quero que fique aqui, e que você leitor ou leitora leve consigo, é que somos responsáveis pelo nosso prazer. Não podemos deixar nossa sexualidade nas mãos dos outros. As nossas parcerias podem contribuir para o nosso desejo e prazer, porém, somos nós os responsáveis e devemos atuar de forma direta nas nossas relações. A sexualidade humana é complexa, vasta, linda e trabalhosa. Dedique-se a ela. Lute por ela. É um direito seu! É um direito nosso! Nosso prazer é legítimo! Lute sempre por ele! E procure ajuda especializada sempre que for necessário.



Dra. Thaís França de Araújo

Médica Ginecologista e Obstetra pela Universidade Federal de Uberlândia MG, com Especialização em Sexualidade Humana pela USP-SP e Terapeuta Sexual pela USP-SP. Associada a ABRASEX, e-mail: thais.pleni@gmail.com.

Instagram: drathaisfranca




Referencias:

https://www.febrasgo.org.br/media/k2/attachments/FeminaZ02Z-ZFevZ2019.pdf



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