• André Moschetta

Estilo de vida saudável após os 60: o mundo não está preparado, e você?

Atualizado: Jun 7

Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2050 o mundo terá 2 bilhões de idosos, e mais de 80% deles estarão vivendo em países como o Brasil. Aqui a porcentagem de pessoas idosas deverá alcançar 18% da população até 2025.


O envelhecimento normal leva a alterações lentas de capacidades mentais e físicas, facilmente superáveis com auxílio da medicina e da tecnologia, mas quando se trata do envelhecimento com problemas de saúde, mal sucedido, a situação é outra. Fazem-se necessárias adaptações nem sempre agradáveis no jeito de levar a vida, na alimentação, rotina, arquitetura domiciliar e urbana, facilitações artificiais de interação social, cuidados redobrados quanto a segurança e saúde, entre outras.


Não é necessário ser expert para perceber que as cidades brasileiras, com raríssimas exceções, são repletas de desafios de locomoção, além de falharem na disponibilidade de sistemas de saúde e proteção aos vulneráveis.


Ensina a sabedoria ancestral que na impossibilidade de modificar o ambiente a curto prazo convém ao indivíduo evoluir, adaptar-se, e melhor ainda, antecipar-se a todo sofrimento evitável.


Dr. Alexandre Kalache, médico gerontólogo especialista em saúde pública, é um brasileiro que tornou-se uma dos maiores referências contemporâneas no assunto. Após anos de experiência no estudo e pesquisa da questão passou a enfatizar o que ele chama de “quatro capitais essenciais para envelhecer bem”, que são saúde, conhecimento, vida social e financeira. Não basta ter a pressão e o colesterol controlados, ou fazer exercícios com regularidade, é preciso também cuidar de aspectos às vezes esquecidos, que transcendem a bilogia


Marco Túlio Cícero, renomado filósofo romano, dedicava-se a pensar e escrever sobre os dilemas impostos pelo envelhecimento ao bom viver. Dentre suas frases brilhantes está:

“se ao lado da biblioteca houver um jardim, nada faltará”.

Para colher emoções positivas e saúde é preciso cultivar um espírito de aprendiz, humilde e ávido pelas novidades que a vida apresenta, além de uma personalidade que saiba desfrutar dos momentos presentes.


O Harvard Study of Adult Development (Estudo Harvard de Desenvolvimento Adulto, em tradução livre) é talvez o estudo mais longo e bem feito sobre felicidade humana. Desde 1938 acompanhou mais de 250 homens jovens de Boston, alguns ainda estão sendo monitorados para além de seus 90 anos. A fim de esclarecer os determinantes mais valiosos de bem estar foram avaliados aspectos emocionais, familiares, profissionais, sociais, financeiros e médicos de cada um deles ao longo das décadas. Nos últimos anos os pesquisadores presentearam o mundo com um achado magnifico, pertinente a todos: abraçar a comunidade, investir em relacionamentos positivos, sentir-se fazendo parte de algo maior - sinônimos em termos de estilo de vida -, é mais importante para a felicidade do que bens materiais, sucesso profissional, ser casado, possuir uma saúde física invejável ou viajar pelo mundo.


Talvez a lição angular para mim e você seja a de que para se ter qualidade de vida e bem estar após os 60 não se pode contar com o acaso, pelo menos para simples mortais, e sim convém investir em escolhas acertadas. Todos os dias vêm com decisões esperando ser tomadas, obviamente que isto é mais claro àqueles que mantém olhos e ouvidos abertos. Dizendo sim ou não para uma rotina de movimentos e exercícios, uma alimentação natural e diversificada, relacionamentos positivos, efeitos tóxicos do estresse excessivo, fumar ou consumir álcool de modo exagerado e, priorizar um sono dos justos.


Um estilo de vida bem sucedido não significa gastos financeiros ou status social, e sim reconectar-se consigo mesmo, ressignificar o simples e escutar a natureza. Como dizia Cícero, "não há nada que não se consiga com a força de vontade, a bondade e, principalmente, com o amor”, mas ao levar em conta a segunda parte do ensinamento maior do Filho de Deus, “ame ao próximo como a ti mesmo”, ou seja, “como a ti mesmo”, não se podem abandonar a autocompaixão e o autocuidado, como muitos insistem em fazer.


Os humanos não florescem sem amar, sem cuidar de si mesmos, do próximo e do seu mundo. Equilíbrio, dedicação e amor, a receita para se preparar bem está aí, ao alcance de todos.

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