Habilidades culinárias afiadas: a chave para uma alimentação saudável

Quando era pequena ficava fascinada ao ver minha avó, de origem libanesa, cozinhar. Ela tinha poderes mágicos e construía sabores excepcionais. Era assim que ela demonstrava todo o seu amor pela nossa família. Cresci sentindo esse amor através dos cheiros e sabores que saiam da cozinha dela. Hoje me esmero para chegar perto das habilidades culinárias da minha querida avó.


Os estudos científicos têm mostrado uma relação positiva entre cozinhar e ter uma alimentação saudável. Ou seja, quanto mais você cozinha mais saudável você vive. É simples assim!


Estudando a Medicina do Estilo de Vida descobri que cozinhar tem mais que poderes ligados ao sabor, cor e textura dos alimentos. Os estudos científicos têm mostrado uma relação positiva entre cozinhar e ter uma alimentação saudável. Ou seja, quanto mais você cozinha mais saudável você vive. É simples assim! Um estudo publicado na revista Public Health Nutrition mostra que as pessoas que costumam fazer o jantar em casa comem de forma mais saudável e consomem menos calorias do que as que cozinham menos. As descobertas também sugerem que aqueles que frequentemente cozinham em casa (seis a sete noites por semana) também consomem menos calorias quando comem fora. Cozinhar nos protege de comer muito até fora de casa.


Fatores práticos influenciam as decisões sobre quais alimentos comprar, preparar e comer. Além do sabor preferido entram nesse jogo o preço e a facilidade de preparo. Um alimento que não precisa ser preparado acaba tendo vantagem em algumas situações dando chance para que produtos industrializados tomem o lugar de alimentos naturais. Pessoas que moram sozinhas - com menor probabilidade de cozinhar regularmente - costumam ter dietas que carecem de grupos alimentares principais, como frutas, legumes e peixes, de acordo com uma revisão de 41 estudos publicados na Nutrition Reviews. A capacidade de preparar alimentos e seguir uma receita afeta as escolhas alimentares das pessoas. Sabendo preparar o próprio alimento aumentamos nossa ingestão de alimentos saudáveis. Os consumidores de alimentos prontos se desconectam cada vez mais da preparação de alimentos. Como a nutrição é conhecida por desempenhar um papel importante na saúde, a preparação de alimentos e as habilidades culinárias acabam afetando o bem-estar e a saúde.


A capacidade de preparar alimentos e seguir uma receita afeta as escolhas alimentares das pessoas. Sabendo preparar o próprio alimento aumentamos nossa ingestão de alimentos saudáveis.


Cozinhar a partir do zero proporciona ao consumidor flexibilidade máxima na escolha dos ingredientes e, portanto, permite que as diretrizes de saúde pública (relacionadas a nutrientes como sal, gordura saturada e açúcar) sejam seguidas com mais rigor. Preparando o alimento conseguimos uma dieta nutricionalmente equilibrada.


As pesquisas mostram que os indivíduos que relatam estar mais envolvidos na compra e preparação de alimentos ou que cozinham com mais frequência têm maior probabilidade de cumprir as diretrizes alimentares.



O que fazer na prática?


Como profissionais de saúde devemos questionar sobre as habilidades culinárias de nossos pacientes avaliando sua capacidade de planejar e preparar uma refeição e sua confiança para isso. Podemos inclusive estimular que eles invistam no aprimoramento de suas habilidades na cozinha..


Ajudar os pacientes a criar confiança no preparo de uma boa refeição pode ter um impacto extremamente positivo na escolha de alimentos e na ingestão alimentar. Uma forma de abordar isso pode ser através do questionário a seguir respondendo de 1 a 7 o grau de confiança em cada pergunta. Considere que 1 é uma confiança muito baixa e 7 extremamente confiante.


1. Quão confiante você se sente em poder cozinhar com ingredientes crus ou básicos?

2. Quão confiante você se sente em seguir uma receita simples?

3. Quão confiante você se sente ao provar alimentos que você nunca comeu antes?

4. Quão confiante você se sente em preparar e cozinhar novos alimentos e receitas?


Pergunte também com que frequência o paciente prepara e cozinha uma refeição principal usando ingredientes crus e o que costuma fazer.


Incentive seu paciente a cozinhar, criar e experimentar novos alimentos: o resultado será uma alimentação mais saudável!



1. Pettinger C, et al. (2006). Meal patterns in Southern France and Central England. Public Health Nutrition 9:1020-1026.

2. Engler-Stringer R (2010). Food, cooking skills and health. Canadian Journal of Dietetic Practice and Research 71:141-145.

3. Winkler E & Turrell G (2009). Confidence to cook vegetables and the buying habits of Australian households. Journal of the American Dietetic Association 109:1759-1768.

4. Van den Horst K, et al. (2010). Ready-meal consumption: associations with weight status and cooking skills. Public Health Nutrition14: 239-245.

5. Wrieden WL, et al. (2007). The impact of community-based food skills intervention on cooking confidence, food preparation methods and dietary choices. Public Health Nutrition 10:203-211


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