Inquérito Apreciativo

A forma tradicional de promover mudanças em qualquer contexto, seja na vida pessoal ou nas organizações, é a resolução de problemas. Analisar o contexto, identificar os problemas e depois criar uma estratégia para resolvê-los. Resolvendo os problemas acreditamos que as coisas vão ficar diferentes e a mudança acontecerá. É um método que sem dúvida funciona mas tem alguns efeitos colaterais: focando nos problemas estabelecemos uma visão crítica, baseada em julgamento, que limita as opções e cria poucas soluções novas. A visão focada nos problemas dá muito valor aos déficits.


Em tempos de mudança constante como esses em que vivemos criar soluções diferentes é uma necessidade. É um questão de sobrevivência porque os desafios que a humanidade passa agora são inéditos.


A medicina não está fora desse jogo. Muita coisa mudou na demografia e na epidemiologia. O envelhecimento da população mundial e o aumento das doenças crônicas não transmissíveis mudou todo o cenário da saúde mundial. Os problemas de saúde hoje demandam soluções muito diferentes do que 50 anos. A visão negativa e foca no problema não está funcionando.


Existe uma forma alternativa de criar a mudança que não olhe apenas para os problemas?


Se identificar e resolver problemas não cria a mudança que precisamos e ainda cria efeitos colaterais indesejados, uma alternativa é olhar para o lado oposto. Que tal tirar o olho no negativo e olhar o positivo? Não identificar problemas, procurar pelas forças e sucessos. Essa é a estratégia sugerida por David Cooperrider e Suresh Srivastva na metodologia do Inquérito Apreciativo (AI). Um inquérito é uma investigação, questionamento na tentativa de descobrir e entender algo. Ao trabalharmos investigando os aspectos positivos de alguma situação criamos um clima de contentamento, apreciação. O contrário do que acontece quando investigamos os problemas.


O AI foi criado inicialmente para produzir mudança em ambientes corporativos mas seu poder de gerar transformação levou à adaptação dessa estratégia para uso em diversas outras áreas, como a saúde e o coaching, além da gestão.


O principal objetivo do AI é chegar ao core positivo de uma pessoa, equipe ou organização. Para isso utiliza-se o diálogo para a construção de uma narrativa que recupere a história de sucesso e permita redescobrir as forças capazes de gerar a mudança. Todo o método é na verdade um diálogo com o core positivo para gerar mudança.


“Mudança positiva é uma forma de mudança, redesign ou planejamento que começa com a compreensão, análise e diálogo com o core positivo”

David Cooperrider


Como o Ai funciona?


A metodologia do AI começa com a determinação de um tópico de trabalho, de escolha afirmativa. É sobre esse tópico considerado estratégico pela pessoa ou equipe. Ele determina uma agenda de aprendizado e descoberta. A regra mais importante para a escolha do tópico é que ele seja um ponto capaz de trazer vida e crescimento.


Ciclo 4D


A partir da escolha dos tópicos o AI se desenrola em 4 passos chamados de ciclo 4D: discovery, dream, design e destiny.


  1. Discovery/Descoberta: através de conversas e entrevistas estruturadas a equipe busca as experiências de sucesso e forças. Essa etapa leva à construção de um mapa do core positivo que reúne todas as histórias positivas.

  2. Dream/Sonhar: olhando para as características positivas descobertas e todas as histórias de sucesso começa a construção de uma imagem ideal para a pessoa/organização. Olhando para o que de descobrir de melhor constrói-se a melhor versão de futuro.

  3. Design/Delineamento: com a melhor visão de futuro em mente cria-se um plano de como alcançá-lo. O objetivo é chegar a uma nova arquitetura de organização ou vida que possa levar até a visão de futuro.

  4. Destiny/Destino: aqui é a fase de implementação do plano. Determina-se as atividades que possam colocar o futuro desejado em prática.



Ciclo 4D - O Inquérito Apreciativo é um processo circular que começa coma descoberta das forças, a construção de um sobro e sua criação na realidade.


O ciclo 4D cria um forte movimento de mudança positiva que aproxima as pessoas de seus melhores aspectos e utiliza essa energia para gerar mudanças.


“Nós ainda não achamos uma organização que não se sentiu compelida a desenhar algo novo e necessário quando inspirada por um grande sonho.

David Cooperrider


AI é libertador e transformador


O AI funciona, segundo seus criadores, porque gera um contexto capaz de liberar o potencial da pessoa ou organização: liberdade de ser conhecido em uma relação, de ser ouvido e sonhar, escolher contribuir e ter suporte para isso e principalmente a liberdade de ser positivo em um mundo tão preso ao negativo.


O que acha? Não seria incrível usar Ai na medicina? Que mudanças poderiam acontecer? É uma questão de sonhar e construir a mudança que você quer.

0 comentário