• Luiz Carlos Oliveira Júnior

MEV, a medicina que você queria fazer quando crescesse

Atualizado: Fev 24

Todas as vezes que converso com um colega médico e falo que estou estudando Medicina do Estilo de Vida as reações são sempre as mesmas. Chega até a ser engraçado. A primeira reação é torcer o nariz e depois perguntar como eu, que sou tão estudioso e rigoroso com relação à qualidade de evidências científicas, estou entrando nessa. É claro e perceptível que isso ocorre por que as pessoas não sabem o que é a MEV e pensam logo em algo "alternativo" que fugiria muito do modelo científico da medicina ocidental.


A Medicina do Estilo de Vida é definida pelo Colégio Americano de Medicina do Estilo de Vida (ACLM) como uma prática de cuidado em saúde


"baseada em evidências científicas que utiliza mudanças de estilo de vida para prevenir e tratar doenças crônicas oferecendo aos individuos conhecimentos e habilidades para que sejam capazes de fazer mudanças comportamentais dirigidas às causas dessas doenças".

Com essa definição em mente vamos pensar juntos. A MEV não é nada alternativa ou experimental, é solidamente alicercada nas evidências científicas de décadas que indicam que doenças crônicas tem como principais fatores de risco os hábitos das pessoas. O que comemos, se fazemos ou não atividade física, a qualidade do nosso sono e de nossas relações, como lidamos com o estresse, tudo isso influencia nossa saúde. Essas são portanto as causas primárias das doenças crônicas como diabetes tipo 2, hipertensão e câncer por exemplo. Antes que você pergunte, sabemos que os genes importam mas os hábitos de vida são determinantes para a forma como os genes são expressos, o que chamamos hoje de fatores epigenéticos.


Genética não é destino, tudo depende de como uso meus genes.


Se os fatores de risco comportamentais são os mais importantes porque então não atacamos o problema na raiz? É isso que a MEV propõe. E não é diferente do que se aprender na faculdade de medicina: os guidelines de tratamento sempre trazem que a primeira medida de tratamento deve ser "mudança de estilo de vida". Só que trazem isso e mais nada, sem explicar como e quanto. A MEV resolveu explorar isso, exclarecer o "quê", "como" e "quanto" de mudança de estilo de vida é necessário com base em muita pesquisa. Nada de estranho até agora não é?!


Seguindo a definição, a MEV oferece aos clinicos um corpo sólido de conhecimento sobre o impacto dos hábitos de vida mas também os "arma" com ferramentas comportamentais para ajuda-los a acompanhar e promover mudanças que seus pacientes precisam. Por isso ela se apoia em áreas não tradicionalmente ensinadas nas faculdades de medicina: psicologia, coach, medicina comportamental.


Mais do que isso a MEV chama para uma mudança radical na relação de cuidado. Se você prestou atenção à definição do ACLM vai perceber uma coisa diferente: "oferece aos individuos conhecimentos e habilidades". A MEV chama os pacientes para uma outra postura, mais ativa e participativa no tratamento. Eles tem que se importar mais com sua saúde, se responsabilizar pelo maior bem que eles tem: sua própria vida. O médico sai da postura de especialista e passa a ajudar o paciente, acompanha-lo na mudança.


A MEV é a raiz da Medicina


A MEV resgata a medicina como ela nasceu. Uma medicina de cuidado e não só uma medicina farmacológica, mecanicista. Ela não é uma "nova medicina", ela é a raiz antiga de onde tudo começou. Não era isso que os "médicos" faziam na antiguidade?


Por isso a segunda reação a essa conversa é sempre a mesma: encantamento. Sempre que explico tudo isso os colegas médicos reconhecem como essa é uma proposta lógica e depois sentem que é isso que queriam quando escolheram lá atrás na vida fazer medicina. Essa é a medicina das nossas infâncias, aquela que responde a pergunta "o que você vai fazer quando crescer?"


É impossível não se apaixonar pela MEV e se reapaixonar pela Medicina.

MEV-SE!


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