O poder das decisões: resumo do livro Gente que resolve

Fazemos escolhas o tempo todo, desde que abrimos os olhos pela manhã até fecharmos novamente antes de dormir. Café ou leite? Com ou sem açúcar? Com queijo ou com manteiga? A azul ou a cinza? Com ou sem gravata? Morango ou chocolate? Com ou sem pimenta? De sal ou de doce? Com ou sem manteiga? Até o final de um dia comum teremos encarado milhares de escolhas e feito outras milhares de decisões. Poucas delas importantes a ponto de mudar nossas vidas de forma muito significativa.


Mas existem algumas escolhas diferentes. Elas exigem cuidado e tem grandes repercussões sobre o destino. Esse tipo de decisão é bem mais complexa e sujeita a erros que podem ser desastrosos. Haveria uma forma de decidir com mais segurança? De fazer melhores escolhas? Existe alguma ciência nisso? São as respostas que “Gente que resolve – como fazer melhores escolhas” dos irmãos Chip e Dan Heath procuram nos dar em mais esse incrível livro.


As fases da decisão e seus inimigos


O processo de decidir tem quatro fases: identificar a escolha a ser feita, analisar as opções, tomar a decisão e administrar com os resultados dela. Isso não é simples e está sujeito a muitos erros por que existem inimigos em cada uma dessas fases.


O primeiro inimigo já se revela quando temos que identificar a verdadeira escolha que deve ser feita. Tendemos a restringir demais nossas escolhas usando uma visão estreita que quase sempre coloca as questões em termos de isso ou aquilo, sim ou não. Ao analisar as opções nos deparamos com o perigo do viés de confirmação que nos faz procurar informações que provem que uma das escolhas é certa por que no fundo queremos que seja. O terceiro inimigo, a emoção, ataca quando estamos próximos de decidir e podemos ser contaminados por um estado emocional que nos cega. Por fim o excesso de confiança pode nos arrastar para uma condição em que não prevemos os problemas que podem surgir da nossa escolha.


Método MADE: como lidar com os inimigos das decisões


Já sabemos quais os inimigos. Como podemos nos proteger deles e tentar fazer melhores escolhas? O livro explica uma metodologia que chama de MADE e funciona como uma vacina para cada um dos inimigos das boas decisões.


M de “Multiplique as opções”


O primeiro inimigo é a visão estreita. Então não fique preso a duas opções apenas. Tente buscar novas opções e até pense na possibilidade de que seja possível escolher as duas ao mesmo tempo, o que eles chamam de pensar em termos de “e, não ou”. Uma forma de gerar opções é o “teste das opções desvanecidas” em que você se coloca na posição de que as duas opções que você tem diante de si não são possíveis. Se não pode escolher entre as duas o que faria então?


Encontrar alguém que já enfrentou esse dilema também é um recurso. Como essa pessoa resolveu e o que aconteceu? Podemos buscar também opções em locais bem diferentes, usando analogias. Uma solução de uma área bem diferente pode trazer ideias para aquela situação.


A de “Adicione realidade”


O segundo inimigo é o viés de confirmação. Tendemos a favorecer em dobro as informações que corroboram uma escolha que nos agrada. Para evitar isso o livro sugere três formas de trazer realidade e fugir desse inimigo. O primeiro é buscar opiniões que sejam discordantes, pessoas que se oponham àquela ideia e possam colocar em xeque sua opinião e suas provas. O segundo método é desafiar o conceito fazendo perguntas não corroborantes. Questione que condições precisariam ser verdadeiras para que cada opção fosse a certa. E em terceiro lugar tente se colocar do lado oposto e tente descobrir argumentos que ajudem essa outra opção e se provar a correta.


Nesse item os autores fazem um alerta bem interessante sobre a opinião dos especialistas. Os experts de suas áreas são ótimos para determinar as “taxas de base”, aquilo que geralmente costuma acontecer, mas são péssimos quando o assunto é fazer previsões sobre casos particulares.


D de “Distanciamento”


Como as emoções são um importante motor do comportamento e das escolhas elas podem nos arrastar para situações desastrosas. O medo de perder por exemplo pode nos impedir de fazer uma escolha com grande chance de ganho e crescimento mas que exige alguma tolerância ao risco. Para reduzir seu poder o jeito é colocar distância. Para isso devemos pensar em perspectiva vendo como nós daríamos conselhos a alguém que estivesse em uma situação semelhante.


Uma outra forma de impor afastamento é tirar o foco das vantagens e desvantagens da escolha e colocar nos valores e propósito pessoais. Ao usar os valores como guia estabelece uma ordem de prioridade que vence conflitos internos que tornam algumas decisões angustiantes.


E de “Prepare-se para errar”


Quanto tomamos uma decisão tendemos a nos tornar otimistas demais. Acreditamos que por ser a escolha “certa” nenhum problema vai acontecer no futuro. Mas podemos estar errados e ter que conviver com as consequências dessa escolha. Para não sermos derrotados pelo inimigo do excesso de confiança a atitude deve ser deixar de ver o futuro como algo pontual mas como um intervalo com dois extremos, o melhor e o pior cenário. Isso permite antecipar problemas e criar planos para resolve-los.


O poder das escolhas


O método apresentado pelo livro nos lembra que as escolhas encerram grande poder. Elas permitem algum grau de controle sobre os fatos futuros. Saber fazer boas escolhas é uma arte que influencia toda a vida. A Medicina do Estilo de Vida trabalha justamente no campo das escolhas mostrando que existem outras opções de hábitos de vida e quais as informações que poderiam ajudar no processo de decisão.


A grande lição do livro está nas palavras dos próprios autores:


“Nossas decisões jamais serão perfeitas mas podem ser melhores. Mais ousadas. Mais sensatas. O processo certo pode nos direcionar para a escolha certa. E a escolha certa, no momento certo, pode fazer toda diferença.”

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