Positividade tóxica: o otimismo que faz mal

Sabe aquelas pessoas sempre muito alegres, interessantes, bem vestidas, que esbanjam felicidade 100% do tempo e que vivem fazendo um discurso otimista sobre tudo? Então... podemos estar diante de um exemplo de positividade tóxica.


A positividade tóxica é definida como a excessiva e ineficaz generalização de um estado feliz e otimista. Ela pode resultar em negação, minimização e invalidação de autênticas experiências emocionais humanas. Ou seja, o otimismo quando em excesso pode estar sendo usado para encobrir e silenciar sentimentos necessários para o nosso crescimento e isso pode ser muito ruim. Por isso o termo “tóxico”.


Na positividade tóxica existe uma ideia de que não devemos tocar em assuntos desagradáveis, mencionar frustrações, devemos nos distanciar dos conflitos e estar sempre com pensamentos positivos. Existe uma falsa ilusão de que pela ação do nosso pensamento ou disposição do humor poderemos alterar a realidade. Claro que não conseguimos, somos humanos! E na verdade os humanos são falhos, cometem erros, ficam com raiva, tristes, magoados, sentem medo, ciúmes, ressentimentos, ganância, etc… e vezes a vida pode ser simplesmente chata e pode doer.

Nas redes sociais, existe uma espécie de “pressão para a felicidade”. As pessoas se cobram ser felizes o tempo todo e essa cobrança gera frustração e infelicidade acarretando um esgotamento psicológico que pode culminar em diversos transtornos mentais.


Não, não devemos estar felizes o tempo todo!


E principalmente no momento atual de pandemia que vivemos os sentimentos de medo e insegurança diante das incertezas futuras são normais. Se você possui auto-conhecimento, entende isso e acolhe seus sentimentos negativos. Está tudo bem!!! Exigir que a pessoa tenha uma visão positiva da dor pode ser incentiva-la a se calar frente as suas lutas e seus sofrimentos. Às vezes escondemos o que estamos sentindo e criamos uma falsa máscara que apresentamos para o mundo e com isso estamos negando a nossa verdade. Até mesmo Freud nos advertiu sobre os perigos de silenciar os sentimentos:


“As emoções reprimidas nunca morrem. São enterradas vivas e saem mais tarde da pior forma”.

Emoções reprimidas podem se manifestar em ansiedade, depressão ou até em doenças físicas.


Existem vários estudos que nos mostram o quanto esconder ou negar sentimentos leva a mais estresse no corpo e/ou maior dificuldade em evitar pensamentos e sentimentos angustiantes.


Gross e Levenson em 1997, fizerem uma pesquisa em que os participantes foram divididos em dois grupos e foram mostrados filmes de procedimentos médicos perturbadores enquanto suas respostas ao estresse eram medidas (freqüência cardíaca, dilatação da pupila, produção de suor). Um grupo foi convidado a assistir aos vídeos demonstrando suas verdadeiras emoções, enquanto o segundo grupo foi convidado a assistir aos filmes e agir como se nada os estivesse incomodando. As observações demonstraram que os participantes que suprimiam suas emoções tiverem uma excitação fisiológica significativamente maior, ou seja, aqueles que escondiam suas emoções por mais que aparentemente estivessem mais calmos, apresentavam uma resposta de estresse muito maior. Esse estudo mostrou que expressar as emoções até mesmo aquelas negativas ajudam a regular a resposta ao estresse.


O que fazer?


Devemos ficar atentos se estamos agindo com pensamentos de positividade tóxica conosco ou se estamos transmitindo positividade toxica a quem nos rodeia.


Tente trocar:


"Não pense nisso, fique positivo!" por "Descreva o que você está sentindo, estou ouvindo.”

"Não se preocupe, seja feliz!” por "Vejo que você está realmente estressado, alguma coisa que eu possa fazer?”

"Falhar não é uma opção” por "O fracasso faz parte do crescimento e do sucesso”.


Caso tenha se reconhecido como um mensageiro de positividade tóxica, tente mudar de postura, busque o equilíbrio, a aceitação de todas as emoções sejam elas boas ou ruins.


Não dá para se sentir feliz o tempo todo


Ninguém tem a obrigação de ser feliz o tempo inteiro. Ninguém tem que estar bem o tempo todo. Ninguém tem que ter pensamentos positivos o tempo todo. Não somos máquinas e essa busca por um padrão perfeito de estado de espírito faz as pessoas perderem sua espontaneidade, autenticidade e a sua liberdade.


Portanto, temos que ser otimistas sim, mas conhecendo as condições do ambiente e reconhecendo nossos limites como humanos que somos.


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