Preocupação: 7 passos para lidar com ela

Você é preocupado demais? Sua cabeça fica cheia de pensamentos prevendo desastres, problemas, buscando soluções sem que nada tenha acontecido? Isso é muito comum. É uma característica central dos transtornos de ansiedade. As pessoas ansiosos têm dificuldade de aceitar incerteza e tolerar as emoções negativas que surgem diante dela. Para reduzir isso buscam uma estratégia ineficaz: preocupar-se. Por mais contraditório que isso possa parecer, é verdade. A preocupação é uma estratégia para reduzir a ansiedade.


A preocupação é um hábito que foi aprendido. Nasce das crenças sobre nós, os outros e sobre o funcionamento do mundo. Os terapêutas cognitivo-comportamentais que pesquisam a ansiedade veem no centro da ansiedade a intolerância à incerteza e a aversão a sentimentos negativos. A preocupação é uma tentativa de reduzir os dois que claramente não funciona por que é impossível reduzir a incerteza da realidade e é inútil evitar completamente emoções negativas.


O que fazer para deixar de gastar tanta energia com a preocupação?


Quem é preocupado sente um cansaço extremo. É exaustivo tentar prever cada problema e consequência de cada ato da vida. Esse é um caminho que pode facilmente levar à depressão. Por isso é preciso cuidar. O especialista em ansiedade mundialmente reconhecido Robert Leahy, autor do livro “Como lidar com preocupações”, apresenta um caminho de 7 passos para lidar com esse hábito ruim:


1 - Aprender a identificar preocupações produtivas e improdutivas


O preocupado acredita que a preocupação ajuda, por isso ele se preocupa tanto. Apesar de algumas preocupações fazerem sim sentido outras são pura perda de tempo. É importante aprender a identificar quais fazem sentido, aquelas cujo problema é plausível e você tem controle sobre ele. Para esses problemas devemos ir para a solução. As preocupações que não estão ligadas a problemas sob o nosso campo de ação são inúteis. Essas devemos aprender a tolerar e ir para o passo seguinte.


2 - Aceite a realidade como ela é


As pessoas preocupadas acreditam que podem controlar o funcionamento do universo para que ele seja como elas querem. É uma crença disfuncional. A imperfeição e incerteza da realidade são vistas como inimigas, apesar de serem normais. Devemos aprender a abraçar a realidade com todas as suas características e aceitar, parar de protestar contra o que não pode ser mudado.


3 - Aprenda a contestar a preocupação


Se a preocupação é inútil então não dê conversa para ela, não a aceite como se fosse uma verdade. Conteste! Identifique as distorções de pensamento que estão envolvidas naquela preocupação como o catastrofismo que faz ver os problemas como muito maiores que são na verdade. Discuta com suas preocupações.


4 - Ataque o inimigo verdadeiro


O problema central da ansiedade e preocupação são crenças disfuncionais que mantemos sobre nós mesmos. São dúvidas sobre nossas capacidades, valor e afeição. Esse é o inimigo. Se colocarmos nossos esforços na identificação e contestação dessas crenças ganhamos mais que perdendo tempo com preocupações.


5 - Transformar fracasso em oportunidade


Porque a pessoa preocupada se preocupa tanto? Ela acredita que nada na vida pode dar errado. Se der ela é um fracasso e não sobreviverá. É uma dificuldade de lidar e entender a falha. Para resolver isso o preocupado crônico precisa mudar essa perspectiva e ver o erro como uma oportunidade de aprendizado e crescimento. Esse é um tema muito frequente nas pesquisas em psicologia. É a diferença apontada por Carol Dweck entre ter uma mentalidade fixa ou de crescimento. Quem tem uma mentalidade de crescimento não se preocupa com o erro.


6 - Use as emoções, não tenha medo delas


Os ansiosos tem tanto medo de sentir medo que mudam até sua forma de pensar. Os estudos sobre ansiedade mostram que eles evitam até visualizar as imagens do que causa medo em pensamento, por isso descrevem seus medos de forma vaga, abstrata. É preciso ver o medo, encarar os sentimentos e usa-los para resolver o problema. Sentir é humano, não devemos evitar o sentimento. Mudar a forma de se relacionar com as emoções com mais tolerância.


7 - Use melhor o tempo


Além de sofrer com a incerteza e não tolerar as emoções, o preocupado crônico sofre com um senso de urgência constante. Tudo que o preocupa tem que ser resolvido agora. Isso reduziria sua ansiedade. Mas o remédio é justamente o contrário: ele deve assumir o controle do tempo e tolerar o senso de urgência. Assim o medo produzido pela ansiedade vai se reduzir com o tempo e a vida estará preenchida com aquilo que é importante de verdade.


Parece mas não é


A preocupação parece ajudar mas não é sempre assim. Ela é um hábito, ou um vício se preferir. Com prejuízos muito claros que os ansiosos sabem reconhecer muito bem mas não conseguem parar de manter. Como é algo que foi desenvolvido ao longo de uma vida é preciso paciência e persistência para vencê-lo. O importante é lembrar que se você aprendeu a ser preocupado pode também aprender a não ser.


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