Qual o motor das suas escolhas?

Atualizado: Fev 24

Nossa vida, queira ou não acreditar, é o resultado das nossas escolhas. Essa é uma verdade inescapável. Tudo na vida é um resultado das escolhas que fazemos a cada minuto. E são milhares delas de manhã até a noite, do acordar ao adormecer. Verdade difícil e incômoda, que joga no nosso colo a responsabilidade de quase tudo que nos acontece.


Se somos completamente livres para fazer escolhas é uma discussão mais complexa. Mas que não retira de nós um pouco de responsabilidade. Como seres capazes de observar nosso próprio comportamento padecemos de uma maldição chamada consciência. É essa consciência que permite que tenhamos a possibilidade de descobrir os fatores que influenciam as nossas escolhas e a partir de então decidir sobre elas. Ou qual delas. A consciência é que amplia a liberdade e com ela a responsabilidade.


Mas chega de filosofia! Vamos ao que importa. E o que importa no final de tudo é no quê isso influencia quando o assunto é fazer boas escolhas em saúde. Porque escolhemos coisas que prejudicam nosso bem-estar? Porque não conseguimos adotar um bom hábito? Qual a razão de fazermos as escolhas que fazemos?


Para entender isso devemos compreender o motor básico do comportamento. Apesar de toda a complexidade das escolhas humanas, pelo fato de sermos seres sociais e culturais, existe uma lei que rege o comportar de todos os animais (abrindo aqui um parênteses existe um campo da Psicologia chamado Psicologia Evolutiva que mostra o quanto do nosso comportamento é instintivo e compartilhado com outras espécies animais. É surpreendente como ignoramos o poder da nossa origem primata!).


Todo comportamento tem um motor emocional que impulsiona as ações. São duas as motivações principais: medo e amor. O medo é uma emoção básica que tem como objetivo em todo animal de afastá-lo de algo visto como perigoso. O medo nos tira de uma ameaça à nossa integridade. O amor faz o contrário, nos aproxima, nos empurra em direção a algo que acreditamos ser importante para a sobrevivência, cria a atração, o desejo por aquilo.


Tudo que você escolhe na vida, resumindo muito, escolhe por ter medo ou por desejar aquilo. Avaliando com cuidado e consciência você percebe que existe uma dessas duas emoções impulsionando suas decisões.


Por um motivo evolutivo o medo tem que ser mais intenso que o amor. Ele é uma emoção urgente. Na urgência, na beira de uma situação que ameaça a vida e pode levar à morte, ele tem que ser mais forte que qualquer atração ou desejo. É uma prioridade correr de um predador e não parar para cheirar uma flor. Entenda por esse exemplo que quando você se afasta por medo está se distanciando daquilo que ama. São dois movimentos incompatíveis.


Essa precedência do medo é um grande problema nos seres humanos. Justamente por termos uma mente consciente que precisa se defender psicologicamente de perigos à sua própria integridade. Temos medo de que nossas crenças sobre nós mesmos, a auto-estima se preferir chamar assim, sejam atacadas. Tememos nos sentir impotentes, sem valor e não amados. Fazemos de tudo para nos defender desses perigos. Neste jogo o tiro pode sair pela culatra e vamos fazendo escolhas ruins por medo de enfrentar alguma verdade interior desagradável mesmo quando a opção temida fosse um grande passo em direção ao estado de maior felicidade. Quem nunca fez uma escolha contrária ao crescimento porque teve medo de quebrar a cara?


Então diante de cada escolha importante você está em um dilema: “corro de medo” ou “corro para o que amo”. Infelizmente, como vimos, o medo muitas vezes vence. A consequência desta tendência é a construção de uma vida, para dizer o mínimo, infeliz. Quem será feliz se só passa a vida correndo de tudo?


Qual a opção? É criar uma ante sala para a decisão. Neste espaço, como nas recepções da vida real, você deve pedir a identificação do que motiva aquela opção e perguntar para onde ela quer ir. Você pode permitir ou não que ela prossiga. O critério de decisão, o filtro, devem ser seus valores. Valores, aquilo que nos é caro na vida, são nossos verdadeiros amores. Nada melhor para quebrar a tendência ao medo do que descobrir e dar atenção aos nossos valores.


Há sempre um espaço de liberdade quando aprendemos a ver o que nos motiva. É medo? É amor? Qual o seu motor?


Quando você descobre isso nasce uma fonte enorme de poder sobre seu futuro.


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