Switch: como mudar as coisas quando a mudança é difícil

Quem já não enfrentou uma mudança na vida? Mudanças acontecem o tempo todo. Algumas são mais fáceis e outras nem tanto. Você precisa fazer alguma em sua vida agora? Ou no seu trabalho? Será que existe uma forma de fazer as mudanças serem mais fáceis? Responder essas questões é o propósito do livro “Switch: como mudar as coisas quando a mudança é difícil” dos irmãos Chip e Dan Heath, autores de vários livros best sellers mundiais como “Ideias que colam” e “O poder dos momentos”.


A primeira grande lição do livro é que as pessoas não são resistentes à mudança. Ela sempre está ocorrendo. O problema é que mudar envolve mais que uma decisão racional, da cabeça, mas também uma decisão emocional e uma mudança das condições ambientais. O problema com as mudanças difíceis é que “algumas vezes o coração e a mente discordam”.


A segunda grande lição parece bem óbvia: “para que algo mude, alguém precisa começar a fazer diferente”. Mas como? Aqui vem o coração do livro. Usando uma metáfora desenvolvida por Jonathan Haidt no livro “Happiness Hypothesis” eles explicam que a jornada da mudança é facilitada quando você consegue alinhar três fatores: o cavaleiro, o elefante e o caminho.


Acalme o Cavaleiro


O Cavaleiro é a mente racional. Ela é responsável pelo planejamento, análise e pensamento. Ela busca e avalia opções em situações de crise. Mas isso atrapalha a mudança quando se perde na paralisia da indecisão, avaliando infinitamente qual a melhor saída para um problema, levando as pessoas à exaustão. Diante de situações de dúvida e ambiguidade com múltiplas opções, como nos processos de mudança, o cavaleiro pode ficar parado se perdendo em planos. Como dito por Barry Schwartz em “O paradoxo das escolhas”:


“À medida que aumenta o número de opções, o esforço exigido para tomar uma decisão acertada também aumenta; esse é um dos motivos pelos quais a escolha pode deixar de ser uma vantagem para se transformar em um ônus.“


Como decidir e planejar exige muita energia mental, expor pessoas a muitas escolhas provoca esgotamento e cansaço. O que pode parecer preguiça é na verdade exaustão decisional.


Para colocar o Cavaleiro no caminho da mudança e interromper seu hábito de pensamento excessivo e dúvida o segredo é investigar e estudar os casos de sucesso de mudança. Assim descobrimos o segredo. O passo seguinte é escrever um script da mudança comportamental que desejamos, reduzindo as escolhas, eliminando a possibilidade de que as pessoas tenham dúvida no momento de decidir. Apontamos claramente o caminho a seguir. Lembre-se que o que parece resistência à mudança geralmente é falta de clareza.


Motive o Elefante


O Elefante é a mente emocional. Ela é poderosa e responsável pela motivação que provoca a mudança. Mas como um elefante as emoções são difíceis de serem dirigidas. Para fazer isso devemos falar com o coração das pessoas. Achar a emoção que ajude a convencer que aquela direção que você aponta é o melhor caminho. Uma vez que o elefante comece a andar naquela direção existe um outro segredo. Dividir a mudança em pequenos processos, uma meta em etapas. O elefante vai conseguir perceber em cada realização um vitória e vai se motivar a caminhar em frente além de descobrir que tem habilidade para vencer.


“Pequenos alvos levam a pequenas vitórias e pequenas vitórias desencadeiam uma espiral de comportamento positivo.”


Para isso use sistemas de determinação de metas significativas como metas SMART. As metas devem ser específicas, significativas, mensuráveis e ligadas a um tempo. Nada tipo “ser saudável”; tudo como “andar 30 minutos, 3 vezes por semana, por 1 mês”.


Um último segredo para cuidar bem de elefantes: crie expectativa de falha. Parece estranho mas é importante que em todo processo de mudança você saiba que existe a possibilidade de dar errado. E que isso é normal.Por que isso importa? Para cultivar uma atitude diferente que chamamos de mentalidade de crescimento (baseado no trabalho da psicóloga Carol Dweck). Para aprender com cada erro e construir uma mudança permanente.


Acerte o Caminho


O terceiro elemento é o Caminho. As pessoas geralmente ignoram o papel das circunstâncias no processo de mudança e tendem a responsabilizar as pessoas apenas. Os autores lembram que muitas vezes “aquilo que é visto como um problemas das pessoas é frequentemente um problema situacional”. Eles exemplificam isso com o trabalho de Brian Wansink, autor de “Mindless eating”. Esse pesquisador conseguiu demonstrar que mudando fatores ambientais, como o tamanho de um saco de pipoca no cinema ou do prato de refeição, podemos mudar o quanto as pessoas comem.


Para dar forma ao caminho da mudança modifique o ambiente de forma a mudar comportamentos facilitando alguns ou dificultando outros. Um dos reforços ambientais mais interessantes é o poder das relações sociais. Ter pessoas ao redor que motivam o novo comportamento e o praticam reforçam seu desejo de mudar. Construa hábitos. Isso coloca a mudança no automático dando folga para o cavaleiro e segurança para o elefante.


Os três elementos formam uma matriz de pensamento e intervenção muito interessante que ajuda a ver a tarefa de mudar sob outra perspectiva. Cheio de exemplos em todos os níveis, do corporativo ao pessoal, “Switch” é uma aula de ciência do comportamento. Aprendendo como organizar com várias dicas o Cavaleiro, o Elefante e o Caminho, é um valioso aliado para quem precisa lidar com transformações em seu dia-a-dia.

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